domingo, 22 de agosto de 2010

MIT questiona modelos climáticos do IPCC

Morgan Bettex - MIT - 20/08/2010

MIT questiona modelos climáticos do IPCC
Os modelos do IPCC calculam que a Terra deveria estar mais quente do que está na realidade e atribui a diferença aos aerossóis, que resfriariam o planeta. Pesquisadores do MIT invertem o argumento e afirmam que eles aquecem.[Imagem: NASA]

Papel dos aerossóis

Novas pesquisas mostram que os aerossóis não apenas esfriam, mas também aquecem o planeta - uma descoberta que pode ofuscar a validade dos modelos de mudança climática.

Exatamente o quanto a Terra se tornará mais quente como resultado das emissões de gases de efeito de estufa - e o quanto ela se aqueceu desde os tempos pré-industriais - são alvos de debates intensos.

Em seu relatório de 2007, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) órgão formado pela ONU (Organização das Nações Unidas) para avaliar as mudanças climáticas, afirma que a temperatura da superfície do planeta subirá entre 1,8 e 4,0 graus Celsius até 2100, com uma melhor estimativa situando-se entre 1,1 e 6,4 graus, compreendendo os dois cenários avaliados.

Tendência para o aquecimento

No entanto, os modelos computadorizados do IPCC têm uma tendência de superestimar o aquecimento: se os modelos do IPCC estivessem corretos, hoje o planeta deveria ser mais quente do que é de fato.

O IPCC atribui a discrepância aos aerossóis - partículas microscópicas na atmosfera que são criadas tanto naturalmente (poeira soprada pelos ventos do deserto) como pela atividade humana (gotículas de líquido produzidos pela queima de combustíveis).

Como os aerossóis ajudam as gotículas das nuvens a se transformar em partículas de gelo, que refletem a luz solar de volta para o espaço, eles ajudam a esfriar a Terra e, possivelmente, reduzir o aquecimento causado pelas emissões.

Mas Richard Lindzen, professor de meteorologia do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, está entre aqueles que questionam a precisão dos modelos do IPCC, criticando sobretudo o argumento dos aerossóis.

Em um artigo publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences, Lindzen e seu colega Choi Yong-Sang sugerem que os aerossóis não apenas refrigeram o sistema Terra-atmosfera - o sistema pelo qual a atmosfera e os oceanos interagem e afetam o clima global -, mas também aquecem esse sistema.

Problema dos aerossóis

Ao descrever os potenciais efeitos antagônicos dos aerossóis a pesquisa questiona os modelos do IPCC porque, se os aerossóis de fato aquecem o planeta, eles não podem ser usados como explicação para um pretenso resfriamento real em relação ao aquecimento que os modelos estipulam. Os modelos do IPCC dizem que a Terra deveria ser mais quente do que é na realidade hoje - a explicação, diz o IPCC, deve-se aos aerossóis, que esfriam o planeta. A pesquisa do MIT afirma que os aerossóis na verdade aquecem o planeta, o que deixa os modelos do IPCC com problemas em má situação.

"Os modelos climáticos atuais geralmente superestimam o aquecimento atual e assumem que o aquecimento excessivo é cancelado pelos aerossóis", dizem os pesquisadores em seu artigo. "[Nossa pesquisa] oferece um exemplo potencialmente importante de que o efeito secundário é de aquecimento, reduzindo assim a capacidade dos aerossóis para compensar o aquecimento excessivo nos modelos atuais." Ou seja, o grau em que os aerossóis podem compensar as superestimativas dos modelos de aquecimento permanece em aberto, sugere a pesquisa.

Thomas Stocker, copresidente do Grupo de Trabalho I do IPCC, que está examinando os aspectos científicos físicos do sistema climático e das alterações climáticas, não quis comentar o estudo, mas disse que a pesquisa de Lindzen e Choi é parte relevante do trabalho revisado pelos pares que o grupo irá avaliar no seu Quinto Relatório de Avaliação das mudanças climáticas, a ser publicado em 2013.

Aerossóis e a formação das nuvens

Em sua pesquisa, Lindzen e Choi analisaram dados sobre a formação das nuvens e aerossóis de poeira - pequenas partículas de areia e silicato na atmosfera - que foram coletados pelo satélite climático CALIPSO, de junho de 2006 a maio de 2007.

As análises revelaram que havia cerca de 20 por cento menos partículas de nuvem "super-resfriadas" - gotículas que são uma mistura de água e gelo, mas refletem mais luz solar do que o gelo - em regiões onde os aerossóis de poeira estavam presentes. Essa diferença, sugerem Lindzen e Choi, poderia aquecer a atmosfera nessas regiões.

Segundo os pesquisadores, a redução nas partículas super-resfriadas ocorre quando os aerossóis viajam para uma camada da atmosfera onde a temperatura é de cerca de menos 20 graus Celsius, e "efetivamente matam" as gotículas super-resfriadas das nuvens, fazendo-as formar gelo. Poucas gotículas de nuvem super-resfriadas significa que as nuvens refletem menos luz solar, o que pode ter um efeito de aquecimento no clima.

Este efeito, acreditam os pesquisadores, deve ser incorporado nos modelos de mudança climática. "O IPCC assume que todos os efeitos secundários dos aerossóis sejam no aumento da reflexividade, o que tem deixado de fora um fator muito importante que pode levar ao efeito oposto", diz Lindzen.

Incertezas da sensibilidade climática

O trabalho é importante para o debate sobre o aquecimento global porque lança luz sobre as incertezas da sensibilidade climática, que é o termo que o IPCC usa para descrever as mudanças que uma duplicação do dióxido de carbono teria sobre as temperaturas médias globais (o relatório do IPCC de 2007 prevê que a mudança deve ser entre 2 e 4,5 graus Celsius até o final do século, com uma melhor estimativa de cerca de 3 graus Celsius).

De acordo com o climatologista Trude Storelvmo, da Universidade de Yale, "o efeito dos aerossóis sobre o clima, em especial através da sua influência sobre as nuvens, representa atualmente a força mais incerta da mudança climática".

Embora os modelos do IPCC assumam que os aerossóis resfriam o sistema Terra-atmosfera, a cientista de Yale adverte que "a menos que possamos quantificar este suposto resfriamento dos aerossóis, contrariando o aquecimento devido ao aumento dos gases estufa, não podemos dizer qual é a sensibilidade climática do sistema Terra-atmosfera."

Como os dados dos satélites podem ser limitados, ela sugere que pesquisas futuras devem incluir medições dos aerossóis e propriedades das nuvens coletadas por instrumentos a bordo de aviões voando na atmosfera superior. Ela acha que esta combinação poderia ajudar a resolver uma questão que permanece sem resposta no artigo: por que poucas nuvens super-resfriadas foram detectadas sobre a América do Sul, ainda que o satélite não tenha detectado poeira ou aerossóis de carbono sobre aquela região.

Lindzen concorda que os cientistas do clima não podem se basear exclusivamente nas técnicas de sensoriamento remoto para obter "dados sólidos e irrefutáveis" sobre os aerossóis e as nuvens. Mesmo assim, ele está ansioso pelo lançamento de satélites e instrumentos melhores, para que ele e seus colegas possam reunir o máximo de dados possível sobre como as nuvens evoluem "de forma que possamos apontar melhor o que os aerossóis fazem."

Até que os cientistas descubram a peça que falta no quebra-cabeças da mudança climática, será difícil prever os efeitos do aquecimento no futuro.

Bibliografia:

Space observations of cold-cloud phase change
Yong-Sang Choi, Richard S. Lindzen, Chang-Hoi Ho, Jinwon Kim
Proceedings of the National Academy of Sciences
June 22, 2010
Vol.: 2010 107 (25) 11211-11216
DOI: 10.1073/pnas.1006241107

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Argila abre caminho para nova geração de superplásticos

Redação do Site Inovação Tecnológica

Argila abre caminho para nova geração de superplásticos
Uma substância feita de argila natural, a mesma usada para fazer vasos de cerâmica, está se transformando na base de uma nova geração de nanocompósitos plásticos de alta resistência e à prova de fogo.[Imagem: Pack et al./Pnas]

Um grupo de cientistas validou teórica e experimentalmente a primeira argila organofílica para uso como preenchimento na fabricação de plásticos.

O material, de baixo custo e que pode ser produzido em larga escala, é feito de argila natural, o que o torna mais seguro e mais ambientalmente correto do que os compostos químicos hoje utilizados na fabricação de compósitos plásticos de alto desempenho.

Nanotecnologia nos plásticos

Miriam Rafailovich e seus colegas da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, explicam que as argilas organofílicas tratadas com amina quaternária foram as nanopartículas pioneiras na área, que marcaram a introdução da nanotecnologia na fabricação de plásticos.

Mesmo pequenas quantidades dessas substâncias tornam os plásticos resistentes ao fogo, mais fortes e mais resistente a danos causados pela luz ultravioleta e por substâncias químicas.

Elas também permitiram que os plásticos fossem misturados, criando materiais híbridos até então desconhecidos, a partir de plásticos comuns.

Mas lidar com essas nanopartículas está longe de ser algo simples ou limpo. As nanopartículas organofílicas de aminas quaternárias são difíceis de produzir por causa dos riscos sanitários e ambientais associados com as aminas quaternárias. E elas só podem ser produzidas em pequenos lotes.

Estes e outros inconvenientes, incluindo o custo muito alto, restringiu o uso desses materiais e limitou a maioria das maravilhas tecnológicas que elas geram a meras curiosidades científicas.

Argilas organofílicas

A nova argila organofílica nanoestruturada agora testada dispensa as problemáticas aminas, substituindo-as por um composto antichama chamado fosfato de difenila resorcinol.

Esses organofílicos são baratos, geram menos poeira, podem ser produzidos em larga escala e são termoestáveis até temperaturas muito mais altas (acima dos 600 graus).

A argila também se mostrou superior nas aplicações dos plásticos antichama. E, ao contrário da maioria das argilas organofílicas à base de aminas quaternárias, a nova nanoargila funciona bem com os estirenos, um dos tipos de plástico mais usados em todo o mundo.

O novo material já foi patenteado, e a expectativa é que ele possa resultar em uma nova geração de nanocompósitos plásticos a curto prazo.

Bibliografia:

The Role of Surface Interactions in the Synergizing Polymer /Clay Flame Retardant Properties
Seongchan Pack, Takashi Kashiwagi, Changhong Cao, Chad S. Korach, Menachem Lewin, Miriam H. Rafailovich
Macromolecules
Vol.: 2010, 43 (12), pp 5338-5351
DOI: 10.1021/ma100669g

Carros darão volta ao mundo em corrida com emissão zero

BBC

Carros elétricos darão volta ao mundo em corrida com emissão zero
Por dia, cada carro precisa percorrer no mínimo 500 quilômetros. [Imagem: ZeroRace]

Volta ao mundo em 80 dias

Um grupo de engenheiros dará início nesta segunda-feira a uma corrida de carros ao redor do mundo, todos movidos com veículos elétricos.

A energia consumida pelos carros ao longo do período será compensada com geração de eletricidade por fontes renováveis, fazendo com que a corrida tenha "emissão zero" de dióxido de carbono.

Os engenheiros correrão em quatro equipes diferentes, com chegada e partida na cidade suíça de Genebra.

Em 80 dias de corrida, eles planejam dar a volta ao mundo, passando por Berlim, Kiev, Moscou, Xangai, Los Angeles, Cidade do México, Lisboa e outras 150 cidades.

Ao longo do percurso de 30 mil quilômetros, os participantes vão promover coletivas de imprensa e eventos de conscientização sobre o meio ambiente.

Carro solar

O evento Zero Emissions Race foi idealizado pelo ambientalista e aventureiro suíço Louis Palmer, que em 2008 deu a volta ao mundo em um carro movido a energia solar. No projeto, batizado de SolarCar, Palmer percorreu 54 mil quilômetros durante 18 meses.

"Nós queremos mostrar que mobilidade elétrica e energias renováveis são uma solução para se ter uma vida ecologicamente equilibrada neste planeta", afirma Palmer.

Em novembro, os engenheiros passarão pela Cidade do México, onde será realizada uma conferência da ONU sobre mudanças climáticas.

Quatro equipes de países diferentes - Suíça, Coreia do Sul, Austrália e Alemanha - vão competir entre si.

Carros elétricos darão volta ao mundo em corrida com emissão zero
A corrida será vencida não por quem chegar antes, mas sim pela equipe que conseguir percorrer o caminho gastando menos energia. [Imagem: ZeroRace]

Cada uma desenvolveu um carro elétrico diferente. Os carros serão abastecidos com energia elétrica ao longo do caminho, em cada uma das paradas.

Compensação de emissões

Para reduzir as emissões a zero, cada equipe será responsável por gerar a mesma quantidade de energia elétrica consumida pelo veículo no seu próprio país usando apenas fontes renováveis, como energia solar, vento, ondas ou geotérmica. Essa energia é alimentada no sistema elétrico de cada um dos quatro países.

Um dos carros, o sul-coreano Yebbuyana, por exemplo, vai consumir 84,7 watts-hora por quilômetro. Para todo o percurso de 30 mil quilômetros, a equipe terá de gerar 2,54 megawatts-hora - que será produzido por painéis solares na região de Geon-nam, na Coreia do Sul.

Os carros, com capacidade para dois passageiros no mínimo, precisam ter capacidade de percorrer no mínimo 250 quilômetros a uma velocidade de 80 quilômetros por hora, antes de pararem para reabastecimento.

Por dia, cada carro precisa percorrer no mínimo 500 quilômetros.

A corrida será vencida não por quem chegar antes, mas sim pela equipe que conseguir percorrer o caminho gastando menos energia.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dez fatos incríveis sobre o luxuoso metrô de Dubai


Crédito da foto: Dan Kittman/Getty

Dubai é um dos lugares mais opulentos da Terra e seu incrível sistema de metrô reflete este fato, com suas estações palacianas, trens tecnológicos e acomodações de primeira classe. Alex Ion, da DeviceMAG selecionou os fatos mais incríveis desse sistema.

Muito mais que uma mera atração turística, Dubai pretende se tornar a primeira cidade do futuro. Seu sistema de metrô esteticamente agradável e bem planejado evidencia isso.



Crédito da foto: Flickr/A Wandering Lens

Cada estação é projetada para lembrar os quatro elementos. Da estação BurJuman, que foi projetada para fazer com que seus passageiros sintam-se como se estivessem debaixo da água, às curvas das dunas de areia da estação "Terra", próximo a Burj Khalifa, passando pelo verde translúcido da estação Rashidya e pelo brilho quente da estação Mall of the Emirates, projetada para fazer você sentir-se como se estivesse em um vulcão. Este definitivamente não é o mesmo sistema de transporte que seus pais conheceram.


Crédito da foto: Flickr/Himanshu Sarpotdar

O metrô de Dubai é totalmente automatizado e logo será o maior sistema automatizado de trens do mundo. Isso também ajuda a prevenir acidentes - se houver algo errado perto da localização do trem, ele irá automaticamente a uma parada. Há condutores acompanhando cada trem para assegurar que nada de errado aconteça.


Crédito da foto: Nepenthes via Wikipedia

Geralmente você precisa esperar somente três minutos e meio por um trem. Com estações que parecem pertencer a um serviço intercontinental de trens. É incrível.


Crédito da foto: Flickr/Danny McL

Os trens da "Gold Class" têm assentos de couro, descansos de braço e outras amenidades, enquanto a "Silver Class" parece um trem normal. Há ainda a classe especial "Women and Children", que você gostaria de usar.


Crédito da foto: Flickr/Philcampbell

Acesso WiFi à internet será disponibilizado em todos os trens e estações.


Crédito da foto: Flickr/Petjam

As passagens variam entre R$0,95 (2 dirhams) a R$3,10 (6,50 dirhams), dependendo da distância e do luxo que você escolher.


Crédito da foto: AreJay via Wikipedia

Alguns números: mais de 150 empresas construíram o Metrô de Dubai em quatro anos, empregando mais de 30 mil pessoas. Três milhões de passageiros usaram o metrô nos primeiros dois mese de operação e mais de 55.000 viagens por dia. Há cerca de trinta estações em Dubai, incluindo duas para o aeroporto, onde você encontra voos baratos para fora.


Crédito da foto: Flickr/Kevin (iapetus)

Você será multado em cerca de 50 reais se comer ou beber no trem. Os funcionários mantém tudo sob vigia e reforçam esta regra. Milhares de homens e mulheres são contratados para a manutenção das estações e dos trens.


Crédito da foto: Flickr/Dexter Panganiban

A construção do Metrô de Dubai começou em 05/05/05 e foi concluída em 09/09/09. Talvez tenha sido planejado por superstição, mas é mais provável que seja um hype programado.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Como é possível?

Fonte: Jalopnik e site Shell Brasil

Assista ao making of do filme do carro cristalino no Shell Helix. Engenharia de primeira linha, aliada à criatividade, conseguiu um feito visualmente impressionante.

No filme da produção é possível que o espectador observe o fluxo do lubrificante em ação como nunca antes. Para a versão transparente, a Shell reproduziu um Nissan 370Z totalmente em perspex — espécie de liga de acrílico de alta resistência —, tendo apenas as velas e os pneus convencionais. O carro levou 14 semanas para ser construído, sendo necessárias aproximadamente duas mil peças para este trabalho.

O carro com aparência de cristal possui uma versão em tamanho original e outra ampliada, a fim de ilustrar, no detalhe, os benefícios do lubrificante. O motor é quase duas vezes maior que o original, com o objetivo de demonstrar como o Shell Helix Ultra age para remover até cinco vezes mais sujeira e resíduos do que um óleo mineral convencional, ajudando assim a melhorar sua eficiência.


Material bioativo e reabsorvível substitui titânio em implantes

Material bioativo e reabsorvível substitui titânio em implantes
Pesquisadores desenvolveram um parafuso bioativo e reabsorvível que substituirá os tradicionais parafusos de titânio, dispensando a cirurgia adicional para retirada do implante.[Imagem: Fraunhofer IFAM]

Parafusos de titânio

Jogadores de futebol, esquiadores, jogadores de tênis - todos temem uma ruptura de ligamento, uma lesão que os afasta por longos períodos do esporte - quando o afastamento não é definitivo.

Quando os ligamentos do joelho são danificados, o paciente tem que se submeter a uma cirurgia para restaurar a estabilidade da junta. Nesta cirurgia, o ligamento rompido é substituído por uma parte do tendão da perna, que é fixado ao osso por meio de um parafuso interferencial.

O problema é que esses parafusos são feitos de titânio - depois de certo tempo, o paciente tem que passar por uma nova cirurgia para que o parafuso metálico seja removido.

A boa notícia é que essa segunda cirurgia está prestes a ser dispensada, graças ao trabalho de pesquisadores do Instituto Fraunhofer, na Alemanha.

Parafusos bioativos e reabsorvíveis

A equipe do Dr. Philipp Imgrund desenvolveu um parafuso que não é apenas biocompatível, mas que também é biodegradável.

"Nós modificamos biomateriais de tal modo que eles podem ser modelados na forma de parafusos bioativos e reabsorvíveis por meio de um processo especial de moldagem por injeção," explica o Dr. Imgrund. "Dependendo da composição utilizada, eles se biodegradam em 24 meses."

Parafusos biodegradáveis feitos de ácido polilático já são utilizados regularmente pela medicina, mas têm a desvantagem de deixar buracos no osso quando se degradam.

Esse inconveniente bastante sério foi superado ao fabricar o material com o ácido polilático e com hidroxiapatita, uma cerâmica que é o principal constituinte mineral dos ossos naturais.

A maior compatibilidade entre o material artificial e o natural faz com que o osso cresça e ocupe o lugar do implante conforme os demais componentes são absorvidos.

Moldagem por injeção

As propriedades dos parafusos biodegradáveis e reabsorvíveis ficam muito próximas às do osso natural. Sua resistência à compressão é superior a 130 newtons por milímetro quadrado, enquanto um osso natural pode suportar entre 130 e 180 newtons.

Os engenheiros alemães desenvolveram um granulado dos biomateriais que pode ser processado com precisão através de métodos convencionais de moldagem por injeção, eliminando a necessidade de pós-processamento.

O processo de moldagem por injeção tem um efeito colateral positivo. Normalmente, a moldagem por injeção de pó é feita a temperaturas muito elevadas, de até 1400 graus Celsius. "Nós só precisamos de 140 graus para os nossos materiais compósitos," diz Imgrund.


Fonte: Inovação Tecnológica

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pesquisa aponta as áreas e cargos que mais cresceram nos últimos quatro meses no quesito salário

Engenharia de Meio Ambiente estão entre os que tiveram maiores aumentos salariais

Um levantamento realizado pela Catho Online, empresa de currículos na internet, identificou os 20 cargos – e seus respectivos setores – que obtiveram os maiores aumentos salariais nos últimos quatro meses. De acordo com o estudo intitulado Pesquisa Salarial e de Benefícios as maiores altas foram obtidas por profissionais de Engenharia. Os jovens profissionais tiveram destaque nas áreas de Recursos Humanos e Comercial, nos cargos de analista júnior e trainee, respectivamente. A função de assistente em Administração/Setor Financeiro também aparece na lista.

O cargo de coordenador da área de Engenharia do Meio Ambiente, que teve o maior aumento entre as funções pesquisadas, registrou um aumento de 23,1%, segundo a Catho. O salário médio desse profissional, que em fevereiro era de R$ 6.152,57, passou para R$ 7.573, 79.

"Engenharia do Meio Ambiente aparecer em primeiro lugar, como a área de maior aumento salarial dos últimos meses, é reflexo do enorme crescimento deste tema dentro das empresas. E, de carona com esta preocupação, profissões e cursos - que há alguns anos não existiam - também começaram a aparecer, como a própria Engenharia do Meio Ambiente", diz Marco Soraggi, diretor da pesquisa.

Em segundo, terceiro e quarto lugares no ranking também aparece o cargo de coordenador, nas áreas de Engenharia de Obras, Engenharia Civil e Engenharia de Qualidade, respectivamente. O quinto colocado é o Técnico em Engenharia Mecatrônica.



A pesquisa

Esta foi a 32ª edição da pesquisa, que é atualizada a cada três meses, e os dados apresentados se referem ao aumento ocorrido entre fevereiro e junho de 2010. 164 mil profissionais, de mais de 20 mil empresas, em 3.338 cidades de todo o Brasil participaram do levantamento através do preenchimento de formulários eletrônicos.

O estudo traz dados de mais de 1.800 cargos, de 214 áreas de atuação profissional e de 48 ramos de atividade econômica, dentro de 21 regiões geográficas do Brasil, além de sete faixas de faturamento para classificação de porte de empresa.

sábado, 7 de agosto de 2010

Painéis reconfiguráveis irão equipar carros no Brasil em até 3 anos

Motorista poderá escolher informações, alterar cores e até inserir fotos.
Alto custo atrasa aplicação da tecnologia, mesmo em países desenvolvidos.


Por Milene Rios Do G1


Daqui a dois ou três anos, estimam os especialistas, os veículos que circulam no Brasil poderão substituir o painel de instrumentos por um display de LCD reconfigurável. O motorista poderá mudar a apresentação gráfica e escolher as informações que quiser ver, como consumo de combustível, conta-giros, temperatura, tensão das baterias e o ângulo de inclinação (o velocímetro é obrigatório por lei). É possível escolher as cores de fundo, um desenho e até alterar a fonte das letras e dos números.


Software permite que motorista mude a cor de fundo do painel de intrumentos e escolha as informações que achar mais importantes
Software permite que motorista mude a cor de fundo do painel de intrumentos
e escolha as informações queachar mais importantes (Foto: Milene Rios/G1)

Essa tecnologia já equipa os modelos mais luxuosos e carros-conceito de algumas marcas, como da alemã BMW e das norte-americanas Ford e General Motors (Continental e Cadillac).


“Apesar de os quadros reconfiguráveis já estarem disponíveis há algum tempo lá fora, é uma tecnologia que ainda está crescendo na indústria mundial”, diz o gerente de engenharia de desenvolvimento na área de painéis de instrumentos da Continental, Iaran Gadotti. “Mas quando ela vingar, o Brasil não vai demorar para tê-la, pois o consumidor não se contenta mais com carros básicos. Essa distância tecnológica entre Brasil e o restante do mundo diminuiu muito.”


De acordo com Iaran, a Continental já está preparada para atender essa nova demanda no Brasil, com projetos já em fase final de desenvolvimento. Eles levam em conta os softwares, a instalação e o suporte. “Em função dos inúmeros recursos que oferece, essa tecnologia custa atualmente até três vezes mais do que o painel convencional, mas a tendência é que com a demanda, os preços abaixem gradativamente até chegar aos modelos de entrada”, diz Iaran.


A Magneti Marelli também tem um software pronto com quatro opções de configurações pré-definidas que podem ser escolhidas pelo motorista. A primeira traz indicações analógicas do velocímetro, do conta-giros, do relógio, do marcador de temperatura e do nível de combustível que podem estar disponíveis em um fundo azul (Classic Blue) ou vermelho (Classic Red).


Assista ao vídeo


Há ainda uma opção mais esportiva com velocímetro digital e conta-giros exponencial e uma off-road, que traz no lugar do conta-giros as informações de inclinação frontal e lateral do veículo. Em todas as configurações, as imagens captadas pela câmera instalada na porta traseira são reproduzidas do lado esquerdo do painel quando o motorista engata a marcha à ré.


“Agora estamos desenvolvendo um novo software que permitirá mudar o fundo do quadro com uma figura ou uma foto - como um desktop de computador -, terá mais opções de cores e irá interagir com o sistema GPS e com o aparelho celular”, diz o engenheiro de desenvolvimento da Magneti Marelli, Jean Lanssoni.


A Delphi já desenvolve esse tipo de tecnologia desde 1998 e, atualmente, tem softwares com mais de 200 opções de cores. “É uma tecnologia que a empresa domina, mas ainda é um investimento muito caro, pois exige a criação de um programa específico para cada montadora”, diz o diretor comercial da Delphi, Valdir de Souza. “Em contrapartida, as inúmeras possibilidades de configuração irão permitir que cada fabricante desenvolva seu quadro totalmente diferente das outras marcas.”


Apesar de ser semelhante a uma tela de computador ou de celular, a tecnologia empregada nos painéis de instrumentos reconfiguráveis é muito mais complexa, já que o dispositivo tem que ser resistente a altas temperaturas, vibrações e transmitir os dados em tempo real. “Por isso, o desenvolvimento não é tão simples, o que encarece o projeto e restringe a produção, mesmo nos países mais desenvolvidos”, afirma o diretor do comitê técnico da SAE Brasil, Ricardo Wetzel. “No Brasil a tecnologia está pronta, agora cabe às montadoras a decisão de adotar ou não em seus modelos.”

Lótus lança táxi movido a hidrogênio para Olimpíadas de 2012

Londres poderá ter os seus primeiros táxis com emissão zero, movidos a hidrogênio, circulando durante os Jogos Olímpicos de 2012.

Os táxis desenvolvidos pela Lotus, equipe britânica de Fórmula 1 e que também produz carros esporte, têm o chassis igual ao do atual Black Cab inglês e pesam as mesmas 2,6 toneladas.

Sua aceleração de 0 a 100 km/hora se dá em 15,5 segundos - lenta se comparada a maioria dos carros, mas sete segundos mais rápida do que um Black Cab comum. Sua velocidade máxima é de 128 km/h.

Visto de fora, ele parece um táxi comum, mas as rodas traseiras são movidas por dois motores elétricos movidos por uma bateria de polímero de lítio - apesar de não ser um carro elétrico no sentido convencional.

Híbrido elétrico-hidrogênio

A principal fonte de energia do carro são células de combustível que convertem energia de hidrogênio - armazenado em um tanque sob o capô do carro - em eletricidade.

Os motores elétricos podem ser movidos pelo sistema de células de combustível, ou por bateria, ou por uma combinação dos dois.

A bateria do carro é alimentada cada vez que o veículo é freado, tanto pelo excesso de eletricidade criado pelas células de combustível, como pela energia cinética capturada durante a frenagem e enviada para os motores elétricos.

Com as duas diferentes fontes de energia, o carro poderia ser considerado híbrido, apesar de que, normalmente, o termo veículo híbrido se refira a carros movidos a gasolina e eletricidade.

Carro com emissão zero

O objetivo do projeto é criar um carro com emissões zero. O táxi não tem cano de escapamento, porque só emite vapor d'água.

Mas isso não quer dizer que se trate de um carro ecológico, já que o processo de produção do hidrogênio - que quebra a água em moléculas de oxigênio e hidrogênio - é um processo que exige muita energia e normalmente é feito a partir do gás natural, um combustível considerado fóssil e não-renovável.



Quando o processo é feito com a ajuda de fontes de energia renováveis, como turbinas de vento, o carro é ecológico, mas na prática, o mais provável é que o hidrogênio seja produzido com o uso de combustíveis fósseis, como o gás.

Ferramenta de marketing

No caso dos táxis londrinos, eles serão abastecidos com hidrogênio gasoso, e o tanque pode ser cheio em cinco minutos.

Segundo a empresa, um tanque cheio de hidrogênio daria ao veículo a mesma autonomia que um tanque de gasolina, entre 250 km e 400 km - uma informação altamente questionável, já que nenhum outro experimento sequer se aproxima disso.

Apenas alguns táxis movidos a hidrogênio serão lançados para os Jogos Olímpicos de 2012. Até lá, deverá haver seis postos de abastecimento de hidrogênio na cidade e pelo menos cinco ônibus movidos a hidrogênio em circulação.

Na verdade parece ser mais de uma ferramenta de marketing, o que é negado por Kells, que afirma que o projeto oferece uma "uma solução tangível, real para 2020".

Para os engenheiros da Lotus, acostumados a trabalhar com carros de estrutura bem mais leve, este é apenas o começo. Eles esperam conseguir que o projeto avance para que sejam desenvolvidos táxis mais leves e eficientes no futuro.

Fonte: BBC

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Uma visita ao maior túnel de vento automotivo do mundo



Nos últimos trinta anos, engenheiros do Laboratório de Aerodinâmica da GM têm melhorado a economia de combustível em automóveis com isto, o maior túnel de vento do mundo projetado para aplicações automotivas. Nesta semana, aniversário de 30 anos do túnel, vamos dar uma olhada em como ele é por dentro.

Posto em funcionamento em agosto de 1980, o túnel de vento é o maior do seu tipo dedicado para a indústria automotiva. Mas não é só um título pomposo. Nas últimas três décadas, graças ao túnel de vento, engenheiros conseguiram cortar o coeficiente aerodinâmico dos carros da GM em cerca de 25%.

Para ilustrar os benefícios, a GM afirma que os avanços obtidos, sem nenhuma outra alteração, resultaram em uma melhoria combinada de cerca de 0,85 a 1,3 km/l. É o equivalente a uma economia anual de 340 a 1400 reais com a gasolina a 2,75 o litro (preço médio em Brasília).

“Há três formas para se melhorar a economia de combustível – reduzir o peso do veículo, aumentar a eficiência do motor e melhorar a aerodinâmica”, disse Charlie Klein, diretor da GM para Massa, Energia e Aerodinâmica. “Dos três, a aerodinâmica é normalmente a que apresenta o melhor custo-benefício para melhorar a eficiência”. Também tem o efeito infeliz de fazer um sedã se parecer com um ovo cortado ao meio.

Isso se deve ao fato de que é geralmente o formato mais aerodinâmico para um quatro portas. Aerodinâmica é o gerenciamento eficiente do fluxo de ar – medido como arrasto – trabalhando contra o veículo. O fluxo de ar em volta do veículo afeta a aceleração, estabilidade, refrigeração, conforto, visibilidade e especialmente a eficiência energética (combustível). Sendo o EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA), a resistência do ar influi em 13% no consumo de combustível. Para SUVs, o efeito é ainda maior, por volta de 22% do combustível utilizado. O que faz sentido – já que geralmente têm o formato de tijolos.

Nós não somos os únicos a brincar no túnel de vento da GM nesta semana. A Fox Business mandou um pobre coitado para o túnel e ligou o ventilador para soprar ventos de 200 km/h. Esse é o resultado da brincadeira:

http://video.foxnews.com/v/4302249/fox-business-network-braves-gms-wind-tunnel

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Como funciona a aerodinâmica?

por Patrick E. George - traduzido por HowStuffWorks Brasil

1. Introdução a Como funciona a aerodinâmica

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/Mark Evans
Veículos com um design aerodinâmico tendem a ser mais estáveis em alta velocidade
Não é algo agradável de fazer, mas imagine o que acontece a um carro a 100 km/h batendo num muro de concreto. Partes metálicas retorcidas e rasgadas. Vidros estilhaçados. Airbags se inflando para proteger os ocupantes – mas nesse tipo de acidente não ajudariam muito. Por mais seguros que sejam os carros atuais, eles não foram feitos para furar um muro de concreto.

Só que há um tipo de parede que os carros conseguem atravessar – e fazem isso há muito tempo. É o muro de ar, cuja resistência os carros têm que vencer para se mover.

Não é fácil pensar no ar ou no vento como um parede. Em baixa velocidade, em dias com pouco vento, é difícil perceber como o ar interage com nossos veículos. Mas em alta velocidade, ou sob vento excepcionalmente forte, a resistência do ar (a força que o ar exerce sobre um objeto em movimento – também chamada de arrasto) tem enorme efeito sobre a aceleração, a dirigibilidade e o consumo de um carro.

Nesta hora entra em cena a ciência da aerodinâmica. Aerodinâmica é o estudo do ar em movimento e das forças exercidas por ele sobre objetos sólidos [fonte – Nasa, em ingles]. Há décadas se projetam carros tendo em mente a aerodinâmica, e os fabricantes de carros puseram em uso inovações que tornam mais fácil cortar o muro de ar, diminuindo seu efeito adverso.

Na essência, projetar um carro levando em consideração o fluxo de ar significa que ele vai ter menos dificuldade para acelerar e vai ter menor consumo de combustível porque o motor não tem que trabalhar tanto para empurrar o carro através da parede de ar.

Os engenheiros desenvolveram várias maneiras de fazer isso. Por exemplo, para que o ar flua ao redor do carro com a menor resistência possível, as carrocerias são arredondadas e têm partes que canalizam o ar. Alguns carros de alto desempenho têm até partes projetadas para levar o ar a se mover de forma suave sob sua parte inferior. Em determinados modelos há aerofólios (também chamados de asas ou spoilers) para evitar que o ar “puxe” para cima o carro – criando sustentação, o que diminui sua estabilidade. Mas na maioria dos carros a suposta peça aerodinâmica está lá apenas como enfeite – você verá a explicação adiante.

Neste artigo vamos examinar a física da aerodinâmica e da resistência do ar e a história de como os carros têm sido projetados levando isso em conta, além de explicar por que a tendência de carros ecológicos dá mais importância que nunca à aerodinâmica.

2. A ciência da aerodinâmica

Antes de ver como a aerodinâmica é aplicada aos automóveis, vamos refrescar a memória em relação à física, para entender a ideia básica.

Conforme um objeto se move pela atmosfera ele desloca o ar que o cerca. O objeto também fica sujeito à gravidade e ao arrasto. O arrasto é gerado quando um objeto sólido se move através de um meio fluido como a água ou o ar. O arrasto aumenta com a velocidade – quanto mais velozmente o objeto se move, mais arrasto ele sofre.

Medimos o movimento de um objeto usando os fatores descritos nas Leis de Newton (em inglês). Estão incluídas massa, velocidade, peso, força externa e aceleração.

O arrasto tem efeito direto sobre a aceleração. A aceleração (a) de um objeto é seu peso (P) menos o arrasto (Fa) dividido por sua massa (m). É bom lembrar que o peso é a massa de um objeto multiplicada pela força de gravidade que atua sobre ele. Seu peso mudaria na Lua porque a gravidade lá é mais baixa, mas sua massa permaneceria a mesma. Para simplificar:

a = (P - Fa) / m

(fonte: Nasa - em inglês)

Conforme um objeto acelera, sua velocidade e o arrasto aumentam, até que o arrasto seja igual ao peso – situação em que não há mais aceleração. Digamos que o objeto nessa equação seja um carro. Isso significa que conforme o carro se move cada vez mais rápido, mais e mais ar se opõe a ele, limitando sua aceleração e sua velocidade.

Como isso se aplica ao projeto de um carro? Bem, é útil para descobrir um número importante – o coeficiente de arrasto. Esse é um dos fatores primários a determinar quão facilmente um objeto se move cortando o ar. O coeficiente de arrasto (Cx) é igual ao arrasto (Fa) dividido pelo produto da velocidade (V) ao quadrado multiplicada pela área (A) multiplicada por metade da densidade do ar (p). Para facilitar a leitura:

Cx = Fa / (A * 0,5 * p * V^2)


[fonte: Nasa - em inglês]

3. O coeficiente de arrasto

Acabamos de ver que o coeficiente de arrasto (Cx) é um número que mede a força exercida sobre um objeto – por exemplo, um carro - pela resistência do ar. Agora imagine a força do ar contrária ao carro conforme ele se move numa rodovia. A 120 km/h a força agindo contra o carro é quatro vezes maior que a verificada quando o carro está a 60 km/h [fonte: Elliott-Sink - em inglês].

A capacidade aerodinâmica de um carro é medida usando o coeficiente de arrasto do veículo. Na essência, quanto mais baixo o Cx, mais aerodinâmico é o carro – e mais facilmente ele se move através da parede de ar contrária a ele.

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/TIM MCCAIG
A forma aerodinâmica do Toyota Prius é um dos fatores que o ajudam na economia de combustível

Vamos ver alguns números de Cx. Por exemplo, dos modelos quadradões da Volvo (em inglês) da década de 70 e 80 do século passado. Um Volvo 960 sedã tem Cx de 0,36. Os Volvo mais novos são muito mais suaves e curvilíneos – e um S80 sedã tem Cx de 0,28 [fonte: Elliott-Sink - em inglês]. Isso mostra uma coisa que você talvez já tenha deduzido – formas mais suaves e afiladas são mais aerodinâmicas que os “caixotes”. Por que isso acontece?

É bom dar uma olhada na coisa mais aerodinâmica da natureza – uma gota de água. Ela é suave e arredondada, e se afina no topo. O ar flui suavemente ao seu redor conforme ela cai em direção ao solo. Sucede o mesmo com os carros – superfícies suaves e arredondadas permitem que o ar flua ao redor do veículo, reduzindo o “empurrão” do ar contra a carroceria.

A maioria dos carros atuais tem um Cx de perto de 0,30. Utilitários esportivos, que tendem a ser mais quadradões que os carros, porque são maiores, levam mais gente e frequentemente precisam de grades mais amplas para ajudar a refrigerar o motor, têm Cx entre 0,30 e 0,40. Nas picapes (em inglês), propositalmente quadradonas, o número fica próximo a 0,40 [fonte: Siuru - em inglês].

Muita gente contestou o visual “único” do Toyota Prius, um carro híbrido, mas ele tem uma forma extremamente aerodinâmica por uma boa razão. É uma de suas características de eficiência, com seu Cx de 0,26 ajudando na obtenção de um consumo baixíssimo. A redução do Cx de um carro em 0,01 pode diminuir o consumo em 0,09 km/l [source: Siuru - em inglês].

4. A história do projeto aerodinâmico dos carros

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/John W. DeFeo
Esses carros antigos são exemplos de como quase nada se conhecia sobre veículos aerodinâmicos no início do século 20
Os cientistas já tinham fazia muito tempo alguma noção do que era necessário para criar formas aerodinâmicas, mas demorou um pouco mais para que esses princípios fossem aplicados ao projeto de carros.

Os primeiros carros não tinham nada de aerodinâmicos. Dê uma olhada no Ford T (em inglês), com sua carroceria bem quadrada – na verdade, parecida com uma carroça sem cavalos. Muitos desses carros mais antigos não tinham que se preocupar com a aerodinâmica porque eles eram relativamente lentos. Mesmo assim, alguns carros de corrida do início do século 20 incorporavam alguma coisa em afilamento e dispositivos aerodinâmicos.

Em 1921 o inventor alemão Edmund Rumpler criou o Rumpler-Tropfenauto (carro gota d’água). Baseado na forma mais aerodinâmica da natureza, a gota d’água, ele tinha Cx de apenas 0,27, mas seu visual peculiar não atraiu o púbico, e apenas cerca de 100 foram produzidos. [fonte: Price - em inglês].

Do lado dos EUA, um dos maiores passos adiante surgiu na década de 1930, com o Chrysler Airflow. Inspirado em pássaros voando, o Airflow foi um dos primeiros carros projetados levando em consideração a aerodinâmica. Embora usasse técnicas de fabricação exclusivas e tivesse distribuição de peso quase 50/50 (igual distribuição de peso sobre as rodas dianteiras e traseiras, para melhor dirigibilidade), os consumidores da época da Grande Depressão (em inglês) não mostraram entusiasmo por seu visual ortodoxo, e o carro foi considerado um fracasso. Mas seu desenho afilado estava muito à frente de seu tempo.

Nos anos 50 e 60 alguns dos maiores avanços na aerodinâmica dos carros tinham vindo das corridas. No começo os engenheiros fizeram experiências com diferentes projetos, sabendo que formas alongadas podiam ser úteis para tornar os carros mais velozes - e mais estáveis em alta velocidade. Depois isso se transformou numa ciência, dedicada a produzir os carros de corrida mais aerodinâmicos. Aerofólios e defletores dianteiros e traseiros, “narizes” com formas que ajudam a “furar” o ar e kits aerodinâmicos se tornaram cada vez mais comuns, sempre com a intenção de fazer o ar fluir sobre o carro e criar sustentação negativa nas rodas dianteiras e traseiras. [fonte: Formula 1 Network - em inglês].

Empresas como Lotus, Citroën e Porsche desenvolveram carros muito aerodinâmicos para vender ao público, mas na maioria das vezes eram carros esporte de alto desempenho, e não modelos para o uso no dia a dia por motoristas comuns. Isso começou a mudar nos anos 1980 com o Audi 100, um sedã com um até então inédito Cx de 0,30. Atualmente quase todos os carros são projetados com alguma preocupação com a aerodinâmica [fonte: Edgar - em inglês].

O que ajudou a provocar essa mudança? A resposta é o túnel de vento. Na próximo tópico vamos explicar como o túnel de vento se tornou essencial no projeto automobilístico.

5. O túnel de vento nas medições de arrasto

Para medir a eficiência aerodinâmica de um carro, em tempo real, os engenheiros da indústria automobilística tomaram emprestada uma ferramenta da indústria aeronáutica – o túnel de vento.

Basicamente, um túnel de vento é um enorme tubo com ventiladores que dirigem um fluxo de ar a um objeto em seu interior. Pode ser um carro, um avião ou qualquer outra coisa cuja resistência ao ar os engenheiros precisem medir. Numa sala anexa ao túnel os engenheiro estudam como o ar interage com o objeto – a maneira como as correntes de ar fluem sobre as variadas superfícies.

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/Kiyoshi Takahase Segundo
Carros (e aviões) usam túneis de vento para testarem a aerodinâmica

O carro ou avião dentro do túnel nunca se move, mas os ventiladores criam vento a diferentes velocidades, para simular as condições do mundo real. Algumas vezes não é usado um carro de verdade – os projetistas se baseiam em modelos em escala de seus veículos na medição da resistência do ar. Conforme o vento se desloca sobre o carro no túnel, computadores calculam o coeficiente de arrasto (Cx).

Os túneis de vento não são nenhuma novidade. Eles começaram a ser usados no final do século 19 para medir o fluxo de ar em muitas experiências com os primeiros aviões. Até os irmãos Wright (em inglês) tinham um. Depois da Segunda Guerra Mundial, engenheiros ligados a competições automobilísticas começaram a usar túneis de vento, em busca de uma vantagem em relação aos concorrentes, medindo a eficiência dos dispositivos aerodinâmicos de seus carros. Mais tarde essa tecnologia passou a ser empregada em carros de passageiros e de carga.

Só que de alguns anos para cá os gigantescos túneis de vento de milhões de dólares têm sido cada vez menos usados. Simulações em computadores começam a substituir os túneis de vento para avaliar a aerodinâmica de carros e aviões. Em muitos casos, os túneis de vento quase servem apenas para checar se são precisas as simulações no computador [fonte: Day - em inglês].

Muita gente acha que instalar um mero defletor na traseira de um carro ajuda a torná-lo mais aerodinâmico. Na próxima parte deste artigo vamos examinar diferentes tipos de dispositivos aerodinâmicos para carros – e saber seu papel no desempenho e no consumo de combustível.

6. Dispositivos aerodinâmicos

A aerodinâmica envolve mais do que apenas o arrasto – há outros fatores, chamados sustentação e downforce (sustentação negativa). Sustentação é a força que se opõe ao peso de um objeto, elevando-o e mantendo-o no ar. A sustentação negativa é seu oposto – uma força que empurra o objeto em direção ao solo [fonte: Nasa - em inglês].

Você acha que o coeficiente de arrasto de um carro de F-1 é superbaixo? Afinal, um carro superaerodinâmico deve ser muito veloz. Bem, não é assim num F-1. Os carros dessa categoria têm Cx por volta de 0,70.

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/Tan Kian Khoon
Os carros de F-1 são aerodinamicamente projetados para gerar o máximo de downforce (sustentação negativa)

Por que um supercarro que supera 330 km/h não é lá muito aerodinâmico? Porque um F-1 é projetado para ter o máximo possível de downforce. Pelas altíssimas velocidades atingidas – e por seu baixíssimo peso (em inglês) – esses carros começam a ter sustentação e tendem a decolar, como um avião. Obviamente carros não devem voar, e se um carro perde o contato com o chão quando em alta velocidade pode haver um sério acidente. Por isso, a sustentação negativa deve ser ampliada - e a forma de fazer isso leva a um elevado Cx.

Os carros de F-1 conseguem sustentação negativa graças a aerofólios ou defletores montados na frente e na traseira. Os aerofólios criam diferenças de pressão que literalmente empurram o carro em direção ao solo – é a sustentação negativa. Isso aumenta a velocidade em curvas, mas tem que ser cuidadosamente balanceado para que o carro tenha velocidade suficiente nas retas. [fonte: Smith - em inglês].

Vários carros de rua têm acessórios aerodinâmicos que geram sustentação negativa. O Nissan GT-R, por exemplo, criticado por sua aparência, tem a carroceria toda projetada para permitir que o ar flua sobre o carro e chegue ao aerofólio traseiro ovalado, gerando um bocado de downforce. Na Ferrari 599 GTB Fiorano (em inglês) as colunas B (atrás dos bancos) vazadas canalizam o ar para a traseira, reduzindo o arrasto [fonte: Classic Driver - em inglês].

Mas e os defletores e outras peças aerodinâmicas em carros do dia a dia? São realmente aerodinâmicos? Em alguns casos, os dispositivos aumentam a estabilidade em alta velocidade. Por exemplo, o Audi TT inicialmente não tinha um defletor no capô traseiro, mas a Audi instalou um quando se descobriu que a carroceria arredondada criava muita sustentação, o que pode ter provocado acidentes [fonte: Edgar - em inglês].

Só que na maioria dos casos a colocação de um grande aerofólio na traseira de um carro comum não vai melhorar muito o desempenho nem a dirigibilidade – se é que vai melhorar alguma coisa. Em alguns casos, pode haver piora no comportamento do carro – que pode, por exemplo, ter dificuldade em fazer curvas, ou passar a sair de frente.

Para mais informações sobre aerodinâmica e assuntos relacionados, visite os links listados no próximo tópico.

7. Mais informações

Links interessantes (em inglês)

Fontes

Classic Driver. "The Ferrari 599 GTB Fiorano." (March 9, 2009)

Day, Dwayne A. "Advanced Wind Tunnels." U.S. Centennial of Flight Commission.
(March 9, 2009)


Edgar, Julian. "Car Aerodynamics Have Stalled." Auto Speed. (March 9, 2009)

Elliott-Sink, Sue. "Improving Aerodynamics to Boost Fuel Economy." Edmunds.com.
May 2, 2006. (March 9, 2009)


Formula 1 Network. "Williams F1 - History of Aerodynamics: Evolution of aerodynamics." (March 9, 2009)

NASA. "Beginner's Guide to Aerodynamics." July 11, 2008. (March 9, 2009)

NASA. "The Drag Coefficient." July 11, 2008. (March 9, 2009)

Price, Ryan Lee. "Cheating Wind - Aerodynamic Tech and Buyers Guide: The Art Of Aerodynamics And The Automobile." European Car Magazine. (March 9, 2009)

Siuru, Bill. "5 Facts: Vehicle Aerodynamics." GreenCar.com. Oct. 13, 2008.
(March 9, 2009)


Smith, Rich. "Formula 1 Aerodynamics." Symscape. May 21, 2007. (March 9, 2009)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Brasileiros criam técnica para medir rotação da luz

Brasileiros criam técnica para medir rotação da luz
Difração triangular: um feixe de luz que passa através de uma abertura triangular produz um padrão de pontos na superfície do detector (seu brilho calculado, que aparece aqui como uma elevação). O número de pontos em cada lado do triângulo central brilhante (aqui, cinco) é um a mais do que o momento angular orbital do feixe original.[Imagem: J. Hickmann/Federal Univ. of Alagoas]

Informações quânticas

A luz pode ter um "momento angular orbital", uma espécie de rotação, mas que se parece mais com um planeta orbitando ao redor do Sol do que girando sobre seu próprio eixo.

Medir essa propriedade é complicado, mas no exemplar de 30 de Julho da revista científica Physical Review Letters, pesquisadores brasileiros mostram que dirigir um feixe luminoso através de um buraco triangular cria uma matriz triangular de pontos que indica diretamente a dinâmica orbital angular desse feixe.

A técnica, simples e elegante, é uma ferramenta importante para explorar uma propriedade incomum da luz, que poderá no futuro ser usada para codificar informações quânticas.

Momento angular da luz

Quando um feixe de luz possui momento angular, esse momento angular pode ter dois elementos. O momentum angular "spin" corresponde à polarização circular da luz para a direita ou para esquerda, o que significa que a direção do campo elétrico gira no sentido horário ou anti-horário conforme a luz se move para a frente.

O momento angular orbital (OAM: Orbital Angular Momentum) - largamente aceito pela comunidade científica apenas nos últimos 20 anos - ocorre quando a direção do campo elétrico varia no interior do feixe.

Por exemplo, imagine medir a direção do campo elétrico em cada ponto ao redor de um feixe de luz de grande diâmetro. Ele pode apontar para cima, para a à direita (às três horas), para baixo, ou para a esquerda (às nove horas).

Este feixe pode ter uma unidade de OAM - uma "carga topológica" de um.

O campo de um feixe de carga dois poderia dar duas rotações completas conforme você se move ao redor de seu contorno.

Os pesquisadores esperam aproveitar esta propriedade para transportar informações com a luz, exatamente como eles já fazem com a polarização.

E com uma grande vantagem: enquanto cada fóton tem apenas dois estados de spin distintos, há potencialmente infinitos estados OAM. O problema é que até agora não havia um método de distinguir os diversos estados OAM de forma eficiente - veja informações associadas a isto nos artigos sobre spintrônica e orbitrônica.

Experimentos de difração

Os físicos já haviam descoberto como gerar feixes que possuam momento angular orbital e usá-los para exercer torque sobre partículas, movimentando-as.

Mas Jandir Miguel Hickmann e seus colegas da Universidade Federal de Alagoas, em Maceió, afirmam que há uma quantidade muito pequena de pesquisas que exploram o que acontece quando esses raios de luz passam por aberturas muito pequenas.

Esses experimentos de difração geram padrões de pontos que os físicos vêm usando há muito tempo para analisar as propriedades da luz comum - mas as técnicas para medir o OAM são poucas e mais complicadas.

Quando Hickmann e seus colegas simularam a difração de feixes de luz passando através de furos de variados formatos, eles descobriram que o uso de um triângulo isósceles traz um benefício inesperado: "Você pode simplesmente contar os pontos para descobrir a carga topológica". Os pesquisadores também verificaram esta previsão experimentalmente.

Medição do momento angular orbital

A equipe calculou e observou que, uma vez que o feixe está centrado no furo, ele gera um padrão incomum: uma rede triangular de pontos. O brilho de cada ponto individual depende das contribuições combinadas da luz a partir de diferentes locais no buraco triangular.

Os cálculos preveem que os pontos mais brilhantes formam um triângulo cujo tamanho (o número de pontos em cada um dos seus lados) é uma unidade maior do que a magnitude da carga topológica.

Além disso, o padrão luminoso triangular é girado em 60 graus em qualquer direção em relação à abertura, com a direção dependendo do sinal da carga (o sentido de rotação da luz). Assim, a abertura triangular representa uma maneira fácil de medir a magnitude e o sinal do momento angular orbital.

Miles Padgett, da Universidade de Glasgow, na Escócia, comentando o artigo dos brasileiros, afirmou que "Foi uma surpresa, pelo menos para mim, que haja uma relação tão simples e bonita" entre o número de pontos difratados, a orientação do padrão e a magnitude e o sinal da carga topológica.


Fonte: Don Monroe - Physical Review Focus

China apresenta solução para o trânsito: ônibus ecológicos que passam sobre carros

Fonte: China Hush via Gizmodo

Há décadas o mundo ocidental assiste reprises de Corrida Maluca, com os carros dos trapaceiros levantando suas rodas e passando por cima dos outros. E ninguém pensou nisso antes. *Suspiro*. Coube aos chineses do Huashi Future Parking Equipment, em Shenzen, imaginar uma solução para o caótico trânsito das grandes cidades: um ônibus monstruoso que tem a sua linha expressa. Por cima dos pobres carrinhos. É assustador, mas faz sentido.



Ficou com medo? Vejamos as outras opções, que temos hoje. Metrô é legal, rápido, e tal, mas construir uma estrutura de transporte subterrâneo é caríssimo e demorado - como qualquer brasileiro que mora em uma grande cidade do Brasil deve saber. O modelo das bicicletas é ótimo, mas ninguém aqui parece disposto a experimentar. Os corredores de ônibus de cidades como Curitiba e São Paulo dão conta até certo ponto. Falta espaço, não há como alargar as ruas para os lados.

Os chineses parecem achar, com alguma razão, que o espaço vertical está sendo subutilizado.

Apresentado pela primeira vez em maio, o ônibus arqueado, como eu quero batizar, também é verde: ele é movido a eletricidade e painéis solares e chega a 60 km/h, viajando a uma média de 40 km/h - velocidade supersônica na capital paulista. Com 6 metros de largura, suspenso a 4-4,5 metros de altura, ele deixa espaço para carros de até 2 metros passarem por baixo. Isso se os motoristas não morrerem de pânico, é claro.

Segundo os chineses, o custo de implantação desses monstros é bem pequeno: cerca de 10% do que seria necessário para fazer mais metrôs. E eles também podem levar uma quantidade absurda de pessoas: 300 por vagão, ou 1.200 por veículo. O projeto será aprovado no fim deste mês, e a implantação do ônibus arqueado nas cidades pode literalmente seguir dois caminhos: colocar trilhos nos lados da pista ou pintar faixas com um branco forte que permitiria ao veículo andar no piloto-automático (mais medo).



De uma forma ou de outra, o o projeto vai sair do papel. Os engenheiros garantem que em apenas um ano é possível implementar 40 km desse tipo de transporte e o primeiro pedaço da malha inicial de 186 km, a ser feito em um distrito de Pequim, começará ainda em 2010 e permitirá uma economia de 860 toneladas de combustível por ônibus.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Protótipo elétrico EN-V circula em Xangai

A iluminada Xangai, na China, ganhou ar ainda mais futurista após um teste de 10 minutos da General Motors. A fabricante norte-americana colocou para rodar o protótipo elétrico EN-V (Electric Networked-Vehicle), até então, apresentado somente no Salão de Xangai, em março.

O protótipo passeou pela principal via da cidade que é o centro econômico chinês, a Huaihai Road. É a primeira vez que o carro vai às ruas. Ele é desenvolvido com a fabricante chinesa Saic, com quem a General Motors tem uma joint-venture no país.

O objetivo da GM com o carrinho para duas pessoas é reinventar o conceito de mobilidade urbana. A GM prevê que o veículo chegue às ruas em 2030 e custará menos do que um carro pequeno.

Além do design e do espaço para duas pessoas, o modelo inova pela tecnologia que oferece como solução para problemas das grandes metrópoles. Entre os itens de conforto e segurança estão abertura de porta automática, estrutura para interatividade com smart phones, GPS que avisa onde há congestionamento, sistema de prevenção de colisões com detector de objetos e sistema automático para estacionar o carro.

O conceito traz ainda a opção de "condução autônoma", que dispensa a ação do motorista graças a um elaborado sistema de navegação GPS, mapas digitais, sensores de veículos, câmeras e outros dispositivos. Segundo a fabricante, os equipamentos eletrônicos são mais eficazes que os motoristas na prevenção de acidentes.

O EN-V pesa 500 kg e mede ,5 m de altura e 1,5 m de largura e pode alcançar até 40 km/h.